Terremoto na Venezuela: por que Manaus sentiu o tremor e o Brasil quase não tem grandes abalos
Dois terremotos fortes atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira, 24 de junho, e chamaram atenção também no Norte do Brasil. Os abalos, registrados pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) com magnitudes 7,2 e 7,5, foram sentidos em cidades brasileiras como Manaus, Boa Vista, Belém e Macapá.
O episódio assusta porque o Brasil não costuma aparecer associado a grandes terremotos. Mas a explicação está na geologia: Venezuela e Brasil ficam na mesma placa principal, a Placa Sul-Americana, porém em posições muito diferentes em relação às bordas tectônicas.
O que aconteceu na Venezuela
Segundo os registros do USGS e as informações divulgadas pela imprensa internacional, os epicentros ocorreram a oeste de Caracas, na região de Morón/San Felipe. O primeiro tremor teve magnitude 7,2 e foi seguido, poucos segundos depois, por outro de magnitude 7,5.
Terremotos dessa intensidade liberam grande quantidade de energia. Mesmo quando o epicentro está em outro país, as ondas sísmicas podem viajar longas distâncias pela crosta terrestre e serem percebidas em áreas distantes, especialmente em edifícios altos.
Por que a Venezuela é mais suscetível
A Venezuela está próxima ao limite entre a Placa Sul-Americana e a Placa do Caribe. Nessa região, as placas deslizam lateralmente uma em relação à outra, em um movimento associado a falhas transcorrentes.
Por isso, terremotos moderados são relativamente comuns na Venezuela, e eventos maiores podem acontecer de tempos em tempos. O país não está no mesmo nível de atividade sísmica de Chile ou Japão, mas é muito mais ativo que o Brasil.
E onde está o Brasil nessa história?
O Brasil está no interior da Placa Sul-Americana, longe dos limites onde acontecem as grandes colisões, afastamentos e deslizamentos entre placas tectônicas. Essa posição torna o território brasileiro muito mais estável.
Isso não significa que o Brasil seja totalmente imune a terremotos. Significa apenas que os abalos costumam ser menores e menos frequentes. Em termos simples: as bordas das placas são as áreas de maior tensão; o interior da placa tende a ser mais calmo.
Por que Manaus sentiu?
Manaus está distante do epicentro venezuelano, mas terremotos acima de magnitude 7 liberam energia suficiente para que as ondas sísmicas percorram centenas ou milhares de quilômetros. Em prédios altos, essa sensação pode ser amplificada, porque a estrutura balança lentamente e torna o movimento mais perceptível para quem está nos andares superiores.
No caso do Norte do Brasil, o tremor sentido pela população foi resultado de ondas vindas de outro país, não de um grande terremoto ocorrido dentro do território brasileiro.
O Brasil também tem tremores próprios?
Sim. Mesmo longe das bordas tectônicas, existem falhas geológicas antigas dentro da crosta brasileira. Elas podem ser reativadas por tensões acumuladas lentamente, gerando terremotos intraplaca, geralmente de baixa ou média magnitude.
Há registros históricos em regiões como João Câmara (RN), Montes Claros (MG), Sobral (CE), Caruaru (PE) e áreas da Amazônia. Em geral, esses eventos ficam entre magnitudes 2 e 5, bem abaixo dos grandes terremotos registrados em regiões de borda de placa.
Recife pode ter um terremoto grande?
A probabilidade é muito baixa. O Nordeste possui falhas geológicas antigas e pode registrar pequenos sismos, normalmente de baixa magnitude. Tremores acima de magnitude 5 são raros, e eventos devastadores como os observados em zonas tectônicas mais ativas são considerados extremamente improváveis para Recife.
- Brasil: interior da Placa Sul-Americana, com poucos terremotos e geralmente fracos.
- Venezuela: próxima ao limite entre as placas Sul-Americana e do Caribe, com maior potencial sísmico.
- Manaus: pode sentir grandes tremores venezuelanos porque as ondas sísmicas viajam longas distâncias.
- Recife: pode registrar pequenos sismos intraplaca, mas a chance de um grande terremoto é muito baixa.
O terremoto na Venezuela serve como lembrete de que geologia não respeita fronteiras políticas. Países vizinhos podem ter riscos muito diferentes porque o que importa, nesse caso, é a posição em relação às placas tectônicas.
Referências: dados sísmicos do USGS e cobertura jornalística da CNN Brasil, com explicação técnica elaborada pelo Projetistas PE a partir da dinâmica entre a Placa Sul-Americana e a Placa do Caribe.
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