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Primeiro leilão de gás da União vende 1,1 milhão de m³ por dia à indústria

CÓDIGO DA MATÉRIA: PE083

Ilustração editorial de tubulações, válvulas e instalações industriais de gás natural para o primeiro leilão de gás da União
Representação editorial gerada por IA de uma instalação industrial de gás natural; não é fotografia do leilão nem da unidade de entrega.

A Pré-Sal Petróleo (PPSA) comercializou 1,1 milhão de metros cúbicos por dia de gás natural da União no primeiro leilão voltado à indústria de base. O certame ocorreu em 22 de outubro de 2026, na plataforma da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Esta análise foi preparada em 25 de outubro; não se trata de um anúncio feito hoje.

Segundo a CCEE, 36 empresas foram habilitadas, 32 participaram e houve disputa em todos os lotes ofertados. O prêmio médio alcançou US$ 2,44 por milhão de unidades térmicas britânicas (MMBtu), 35% acima do prêmio inicial de US$ 1,80/MMBtu. A operação gerou faturamento estimado de R$ 377 milhões à PPSA, calculado com as premissas de referência informadas pela entidade.

O que foi vendido e para quem

O gás foi destinado a cinco segmentos da indústria de base: químico e petroquímico, fertilizantes nitrogenados, cerâmica, vidro e siderurgia, metalurgia e mineração. A comercialização ocorreu em etapas separadas por segmento. A CCEE informa que o fornecimento está previsto para o período de março a dezembro de 2027, ainda sujeito à assinatura dos contratos, prevista para a primeira quinzena de dezembro de 2026.

O volume de 1,1 milhão de m³/dia é uma quantidade diária contratada para o período de fornecimento, não uma entrega física já iniciada. O anúncio de novo leilão de 1,8 milhão de m³/dia em 2027 também é uma intenção futura, e não volume adicional contratado neste certame.

Preço da molécula não é preço na fábrica

A PPSA e a CCEE estimam preço médio de US$ 5,83/MMBtu para a molécula de gás. Esse número não deve ser apresentado como custo final entregue a uma planta industrial. A entrega contratual aos compradores ocorrerá na saída da Unidade de Tratamento de Gás de Itaboraí, no Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro. A partir dali, os compradores terão de contratar transporte diretamente ou por meio de comercializadora habilitada.

Para Pernambuco e o Nordeste, o efeito econômico dependerá de quem comprou o gás, da disponibilidade e das tarifas de transporte e das condições comerciais até cada unidade consumidora. As fontes consultadas não permitem afirmar que indústrias de Suape tenham adquirido volumes ou que receberão gás ao preço estimado da molécula.

Por que o resultado interessa à engenharia

Um suprimento competitivo e previsível pode influenciar estudos de viabilidade de plantas intensivas em energia e matéria-prima. Projetos de novas conexões, estações de medição e redução de pressão, redes internas de gás, sistemas de queima e adequações de segurança exigem avaliação própria de demanda, capacidade de transporte, licenças e requisitos técnicos. O leilão, por si só, não comprova que esses investimentos serão realizados.

O dado relevante agora é a abertura de um novo mecanismo de comercialização direta do gás da União para a indústria. Seus resultados concretos para cada região dependerão dos contratos e da infraestrutura que levará a molécula até o consumidor.

Fontes

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