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Lula é reeleito em 2026: resultado em Pernambuco e no Nordeste

CÓDIGO DA MATÉRIA: PE085 · Segundo turno de 25/10/2026

Linha fina: O presidente foi reeleito com 51,79% dos votos válidos. Em Pernambuco, alcançou 69,20%; no Nordeste, ganhou nos nove estados. A distribuição dos votos mostra um país competitivo e territorialmente dividido, sem permitir deduzir o voto individual de quem mudou entre os turnos.

Lula com apoiadores na Avenida Paulista após a reeleição; capa com o título Lula reeleito
Lula na Avenida Paulista após a confirmação da vitória, em 25 de outubro de 2026. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil. Arte: Projetistas PE.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República no segundo turno de 25 de outubro de 2026, com 64.256.232 votos, ou 51,79% dos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença foi de 4.430.191 votos. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou 128.236.074 comparecimentos, equivalentes a 80,78% do eleitorado apto. Os percentuais dos candidatos excluem votos brancos e nulos. Fonte: TSE, resultado nacional e balanço do segundo turno.

Gráfico: Lula teve 51,79% dos votos válidos no Brasil e 69,20% em Pernambuco; Flávio Bolsonaro, 48,21% e 30,80%
Comparação dos votos válidos no Brasil e em Pernambuco. Fontes: TSE e TRE-PE. Arte: Projetistas PE.

Pernambuco: vantagem de 2,28 milhões de votos

No estado natal de Lula, a diferença foi mais larga do que no país. Com todas as urnas apuradas, ele obteve 4.117.513 votos (69,20%), ante 1.832.554 (30,80%) de Flávio Bolsonaro. A vantagem de 2.284.959 votos corresponde a 38,40 pontos percentuais entre os dois candidatos. No Recife, Lula teve 61,27% dos votos válidos, resultado expressivo, mas menor que a média estadual. Fonte: TRE-PE.

O comparecimento em Pernambuco chegou a 84,82% dos 7.223.227 eleitores aptos; a abstenção foi de 15,18%, abaixo dos 18,17% do primeiro turno. Lula somou 563.542 votos a mais que em 4 de outubro, quando havia recebido 3.553.971. Flávio Bolsonaro cresceu 94.511 votos, de 1.738.043 para 1.832.554. Esses saldos não identificam de quais candidaturas, de brancos e nulos ou de eleitores antes ausentes vieram os votos: o voto é secreto e os totais agregados não rastreiam pessoas. Fonte: TRE-PE.

O Nordeste foi decisivo no saldo, não a única origem do crescimento

Lula venceu nos nove estados nordestinos. A soma dos resultados estaduais foi de 24.450.432 votos para Lula e 10.796.736 para Flávio Bolsonaro: 69,37% a 30,63% dos votos válidos da região, com saldo de 13.653.696 votos. Como essa vantagem supera a diferença nacional, ela foi decisiva na aritmética do resultado. Isso não significa que a eleição tenha sido resolvida apenas no Nordeste. Resultados por estado reproduzidos a partir do TSE pela Bloomberg Línea.

Bahia deu a Lula o maior saldo estadual do país, cerca de 3,88 milhões de votos. Pernambuco veio em seguida, com 2,28 milhões, e Ceará, com 2,22 milhões. Em participação percentual, o Piauí liderou a região: 75,88% dos válidos para Lula. Pernambuco marcou 69,20%, acima dos 51,79% nacionais. O contraste entre quantidade de votos e percentual importa: estados mais populosos podem entregar saldos maiores mesmo sem a maior proporção. Fonte: resultados estaduais consolidados pela Bloomberg Línea.

Gráfico: Lula liderou no Nordeste e por margem mínima no Norte; Flávio Bolsonaro liderou no Sudeste, Centro-Oeste e Sul
Votos válidos por região, calculados pela soma dos resultados estaduais. Exterior não incluído. Fonte: TSE. Arte: Projetistas PE.

Fora do Nordeste, Flávio Bolsonaro obteve saldo conjunto de aproximadamente 9,22 milhões de votos, incluído o exterior. Venceu nos três estados do Sul e em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. No Sudeste, ganhou em São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Lula venceu em Minas Gerais por margem estreita, 50,43% a 49,57%, cerca de 109 mil votos. No Norte, o agregado ficou praticamente empatado: apenas 1.079 votos de vantagem para Lula. São retratos regionais distintos, não dois blocos de eleitores uniformes. Fonte: resultados por estado consolidados pela Bloomberg Línea.

A leitura da virada entre os turnos

No primeiro turno, Lula havia recebido 53.879.538 votos e Flávio Bolsonaro, 56.104.503. No segundo, os acréscimos líquidos foram de 10.376.694 e 3.721.538 votos, respectivamente. O crescimento de Lula foi maior que o de seu adversário e inverteu a ordem do primeiro turno. O Nordeste respondeu por cerca de 2,96 milhões do ganho de Lula, mas o Sudeste somou cerca de 4,80 milhões. Portanto, a vantagem nordestina foi crucial no placar final, enquanto o avanço entre os turnos foi nacional. Estudo de saldos com base nos arquivos do TSE.

Gráfico: acréscimo líquido de votos de Lula entre turnos, com 4,80 milhões no Sudeste e 2,96 milhões no Nordeste
Variação líquida regional entre turnos. Os saldos não identificam o voto individual; exterior não mostrado. Fonte: totalizações do TSE tabuladas no estudo citado. Arte: Projetistas PE.

Os totais não autorizam dizer que os eleitores de determinado candidato eliminado migraram em bloco para Lula ou Flávio. Houve também variação no comparecimento e em votos brancos e nulos. Explicações sobre motivos individuais de voto exigiriam pesquisas específicas, com método, período e limitações explícitos. A interpretação territorial dos dados, por si só, não prova causalidade. Fonte metodológica: estudo de saldos e ressalvas.

O que o resultado significa para Pernambuco

O peso eleitoral de Pernambuco e do Nordeste fortalece a relevância política da região na formação do próximo governo. Isso é uma inferência política, não uma promessa de investimento. O teste concreto será acompanhar orçamento, cronogramas e entregas em temas importantes para o estado: infraestrutura portuária, Suape, Refinaria Abreu e Lima, logística, energia, saneamento, indústria e qualificação profissional. A preferência do eleitorado não substitui indicadores de execução de obras ou de criação de empregos.

O retrato das urnas combina uma vitória nacional relativamente apertada com uma maioria robusta no Nordeste. Para governar, o presidente reeleito terá de responder tanto aos estados que lhe deram ampla vantagem quanto à parcela numerosa do eleitorado que escolheu o adversário. Para avaliar esse mandato, o critério mais útil será comparar compromissos públicos com resultados verificáveis, especialmente em investimentos e serviços que afetam a vida e o trabalho em Pernambuco.

Metodologia: percentuais dos candidatos calculados sobre votos válidos. Agregações regionais obtidas pela soma dos resultados estaduais; o exterior integra o resultado nacional, mas não as cinco regiões. Variações entre turnos são saldos agregados, não transferência individual de votos. Fotografia documental creditada e gráficos autorais.

Fontes primárias: TSE, totalização nacional; TSE, balanço do segundo turno; TRE-PE, resultado de Pernambuco. Conferência estadual e análise complementar: Bloomberg Línea; estudo de variação entre turnos.

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