Petrobras avalia ampliar refino para buscar autossuficiência em diesel até 2030
CÓDIGO DA MATÉRIA
PE052
A Petrobras estuda projetos que poderiam levar o parque de refino brasileiro a atender 100% da demanda nacional de diesel. A possibilidade foi apresentada pela presidente da companhia, Magda Chambriard, em 12 de maio de 2026, durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre. O ponto exige precisão: a autossuficiência ainda não é uma meta aprovada; ela está em análise para um próximo plano de negócios.
O tamanho do desafio
O Brasil produz muito petróleo, mas ainda possui um déficit estrutural de diesel. Nota técnica da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informa que as importações líquidas somaram 16,3 milhões de metros cúbicos em 2025, equivalentes a 27,3% da demanda interna. Em fevereiro de 2026, o diesel A importado representou 30,56% das vendas nacionais, segundo a síntese mensal da agência.
Essa diferença não desaparece apenas com mais produção de petróleo. É necessário ampliar capacidade de processamento, conversão e hidrotratamento, elevar a disponibilidade operacional das refinarias e assegurar infraestrutura de armazenamento, dutos, terminais e transporte. Também é preciso compatibilizar o perfil do petróleo processado com o conjunto de derivados demandado pelo mercado.
O que já está no plano da Petrobras
O Plano de Negócios 2026-2030 destina US$ 15,8 bilhões ao segmento de Refino, Transporte, Comercialização, Petroquímica e Fertilizantes. A capacidade instalada de processamento deve passar de 1,8 milhão para 2,1 milhões de barris por dia até 2030, incluindo projetos ainda em avaliação.
- A participação do diesel na produção das refinarias deve subir de 40% para 45%.
- A capacidade de produção de Diesel S-10 pode crescer 307 mil barris por dia até 2030.
- Desse total, 134 mil barris por dia seriam volume adicional e 173 mil corresponderiam à substituição de Diesel S-500 por S-10.
- O Programa RefTop receberá US$ 1 bilhão para eficiência operacional e energética, com meta de disponibilidade igual ou superior a 97% até 2030.
Por que a RNEST é decisiva
A Refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca, é um dos ativos centrais dessa estratégia. A Petrobras informa que projetos implantados entre 2023 e 2025 elevaram a capacidade de processamento da RNEST em cerca de 42 mil barris por dia. O avanço do Trem 2 pode acrescentar até 130 mil barris por dia à capacidade da refinaria.
Para Pernambuco, a expansão significa uma cadeia potencial de obras, montagem industrial, inspeção, comissionamento, manutenção, automação, logística e serviços especializados. O efeito concreto sobre empregos e contratos, porém, depende do cronograma de execução, das licitações e da contratação efetiva dos projetos. Não é correto transformar capacidade planejada em vagas garantidas antes desses atos.
Autossuficiência não significa isolamento
Mesmo que a produção doméstica passe a equivaler ao consumo nacional, importações e exportações podem continuar ocorrendo por razões comerciais, logísticas, regionais ou de qualidade. O conceito relevante é a capacidade agregada de suprir a demanda, e não a proibição de comprar produto no exterior.
Também não há garantia automática de redução do preço na bomba. Custos do petróleo, câmbio, logística, biocombustíveis, tributos, margens e condições de mercado continuam influenciando o preço final. A principal consequência estratégica seria reduzir a exposição do país a interrupções externas e ampliar a segurança do abastecimento.
O que ainda precisa ser confirmado
Para que a ambição de 100% deixe de ser estudo e se transforme em compromisso, o próximo plano de negócios precisará identificar os projetos adicionais, investimentos, capacidades, prazos e critérios de rentabilidade. Até lá, o número oficial contratado permanece sendo o atendimento de 85% da demanda pela Petrobras até 2030.
Fontes
- Petrobras: transcrição da teleconferência de resultados do 1º trimestre de 2026
- Petrobras: Plano de Negócios 2026-2030
- Petrobras: ampliação do refino e produção de combustíveis
- ANP: Nota Técnica nº 16/2026, contexto do mercado de diesel
- ANP: Síntese Mensal de Comercialização de Combustíveis, fevereiro de 2026
Informações verificadas em 8 de outubro de 2026. A declaração sobre 100% foi feita em 12 de maio de 2026 e permanece apresentada como possibilidade em estudo, não como projeto aprovado.
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